Poesias e trovas

Suas poesias[1] e trovas demonstram toda sua sensibilidade. A seguir serão apresentados alguns poemas. e se integram as suas obras. O primeiro intitulado  Volta à Origem, título este, semelhante a obra apresentada abaixo, representa a relação imagem palavra na vida de Victorina.

(anexar obra)

Volta à origem

Regressarei ao mundo de quimeras

por um caminho cálido e secreto.

entre alamedas boreais, solenes,

pisando o nunca-mais do desenganos.

O entendimento há-de seguir meus passos

e sentirei a seiva borbulhante

no místico retorno à natureza..

Habitarei tranqüilas madrugadas,

descansarei nos séculos remotos

dispersa no sem–fim dos horizontes…

PERCEPÇÃO

Existe no meu um coração sem vida.

Por causa da tristeza imensa, da ferida

que me ficou esperanças malogradas,

com gritos de revolta fui culpando a todos!

Mas percebi depressa o quando de injustiça

havia em meu protesto – Não havia culpas

de nada e de ninguém… nem mesmo culpa minha…

MOTIVAÇÃO

Completo o meu destino em teu destino;

se teu amor é tanto, é porque existo

e meu deleito em ti se manifesta

em rara essência, farta de ternura.

Meu coração repousa em doce alfombra

e sem nenhuma luta me recrío

no vivo sortilégio de teu riso,

iluminando tímidas procuras.

Tão só, cantarolava em meu recanto

a triste melodia solitária

de quem apenas sonha e não espera…

Porém, ouviste o cântico sofrido

e me estendeste as mãos enternecidas.

plenas de graças para os meus anseios!

FÊNIX

Desisto de bucar a compreensão das gentes.

Nem susto, nem temor, encontrarão abrigo

no coração indômito, arrostando as lutas

de modo a renascer de cada golpe amargo

para, com novo alento, retraçar roteiros.

Na lucidez do Eterno são o mar, as gotas;

no fogo assustador, fagulhas são estrelas,

na humana luta ingente, os prêmios são renúncias.

O sopro do mistério se fará verdade

no mesmo instante azul festivo da alvorada

de nunca mais chorar os mortos, nem os vivos,

pois Nada e Tudo são a síntese da vida.

ESPERANÇA

Silêncio, meu amor, escuta!

É um leve crepitar,

alvissareiro som de primavera!

É o degelo dos píncaros inacessíveis

onde sempre pairou o meu anseio”…

DESAFIOS

Quisera ser! Porisso não me culpo

de tudo o que não fui nas epopeias

de muitas vidas fartas de cansaço.

E não aceito as dimensões da culpa!

Calquei no peito os sonhos e ousadias

e as minhas mágoas transformei em versos!

IDEAL

Se o entendimento, a graça, o bem-querer e o encanto,

puderem dominar os gestos num trabalho

eles se torna bênção e transmite força,

serena e soberana, de quem participa

da evolução do mundo.

Por menor que seja,

a pedra, colocada pela mão amiga

nos alicerces feitos de firmesa e afeto,

há-de valer tesouro imenso,

pois nela vibrará a deia da unidade

que, um dia, reunirá os homens num só templo.

E cada qual será senhor do seu destino

e traçará o caminho sempre idealizado.


[1]              Vide a capa do livro publicado das poesias de Victorina Sagboni.

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